sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Janeiros mudando nosso jeito de ser

Neste dia 27 de janeiro, uma das maiores tragédias de nosso país completa um ano. Notícia em todo o mundo, o incêndio que atingiu a boate Kiss, em Santa Maria-RS, deixou 242 mortos e 123 feridos. Em homenagem a todos os que partiram - e aos que ficaram com as marcas da dor, minha poesia, com carinho...

Sonhos desfeitos, assim de repente
Projetos jogados, todos pelo chão
É tão estranho ver tudo acabado
Desejos roubados, assim, sem razão.

Ficam as marcas, as cicatrizes
Que insistem em lembrar o quanto doeu
Ficam lembranças...de histórias tão lindas
Retratos da vida, que em mim não morreu.

Anjos existem, estão entre nós
Sorriso nos lábios, beleza sem fim
Estrelas que brilham, e que são nossa voz
São anjos heróis, eu sei que é assim

A juventude, que sempre é capaz
De nos mostrar que a paz vale à pena
Esta juventude não pode calar
É preciso trilhar, com amor, vida plena.

E que os janeiros de nossa história
Possam mudar nosso jeito de ser
E que o choro e nossa tristeza
Se transformem em amor, nos ensinem a viver.

Que a alegria, que é a marca dos jovens
Volte a reinar em meu coração
Que a dor que é minha - e ela eu não tinha
Me ensine a amar ainda mais meu irmão.

                                                (Claudiomiro Sorriso)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Velhice

Estamos vivendo mais uma semana do idoso. Aqui, ali, em todo o lugar, atividades concentram atenções para o tema. 
Debate-se políticas públicas para atender homens e mulheres que conseguiram vencer etapas e chegar firmes e fortes na chamada terceira idade. 
Olha-se com mais atenção para um Estatuto criado – e que pena que tem que ser assim – para dar melhores garantias a esta importante faixa da população.
Mas tem algo fascinante na tal da “velhice”. Vejo além dos cabelos brancos, mais do que as “marcas do tempo”. Vejo sabedoria. 
Aliás, que é conquistada passo a passo, ano após ano.
Fico a imaginar, ao ver um idoso a passar por mim: quanta coisa ele tem para ensinar. Quanta experiência adquirida.
Acho linda a velhice. Mas ela me incomoda. Lembro dos meus pais, já não mais presentes e me arrependo das coisas que não pude apreciar junto deles.
Acho linda a velhice. Mas me entristece. Quando percebo que para muitos vovôs, cheios de lições, a reta final de suas vidas é a solidão em um quarto de um asilo. 
Tudo bem, que em muitos lugares, são mais cuidados do que no berço familiar. Mas tinha que ser assim?
Acho lindo a velhice. Fico feliz ao ver a vitalidade de muitos, recomeçando aos 60, ao se reencontrar nos grupos da terceira idade. Quanta festa, quanta alegria, quanta disposição.
A prova viva de que é possível sim, ter um destino diferente. De que a dor pode ficar de lado, cicatrizada, e seguir em frente.
Viver, fazer amigos, amar. É, amar!!! Quem diria. O amor está presente, vivo, apaixonadamente a chama acesa, a mostrar a beleza de tão nobre sentimento. 
“Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a . Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem, Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos aos, estes ainda reservam prazeres”, disse Sêneca. E é assim, de fato.
Eu, como já afirmara no livro “De outras Almas”, lançado por mim e Clairto Martin, em 2006, não tenho medo da velhice “afinal, é o ciclo da vida. Não são as rugas no rosto, ou os cabelos brancos (que aliás, adoro!) que me incomodam. Meu medo é me afastar da criança que mora em mim”.
Bom, nesta semana especial do idoso, que saibamos olhar o outro – e a nós mesmos – e reconhecer que o trem da vida segue seu curso, e queremos estar nele, a desembarcar felizes em muitas estações e nelas, apreciar o belo, antes da parada final.

“...Quem dera, diferente fosse
E eu não vivesse sozinho
Quando chegasse aos 70
Cercado de amor e carinho....
Que fosse meu lar, minha pátria
E que os meus continuassem ao meu lado
Mesmo com o peso da idade
Poder amar e ser amado.” (Claudiomiro Sorriso)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O cuidado com os nossos ideais


Desafios nos engrandecem, nos tornam fortes. Diante deles, temos a chance de provar – a nós mesmos – nossa capacidade.
Desafios enobrecessem o ser, pois tornam-se práticas diárias de superação. E quando vencidos obstáculos, e, diante deles percebe-se vitórias, o sorriso estampado no rosto é o sinal de que valeu à pena lutar.
Somos desafiados, sempre. Nesta batalha cotidiana que é a vida e seus percalços, e que – na maioria das vezes – o jogo é desigual, somos chamados a mostrar do que somos capazes, mesmo que, isto já fora feito antes.
Não importa, viver em sociedade nos dias atuais, é isto, o desafio imposto é este: provar sempre.  Primeiro para si – de que é capaz de enfrentaras situações mais diversas mesmo diante da dor, da tristeza, da infelicidade presente ou da falta do reconhecimento.
Pois, este ‘provar a si’, vem seguido de um ingrediente a mais: provar aos outros. Sim meu caro. Quantas vezes você se deparou com esta situação? Mesmo na certeza de sua capacidade de produzir, de fazer bem – e fazer o bem – você foi desafiado a fazer ainda mais – e melhor.
Lutar, vencer, desistir jamais, afirmam as principais citações que enfocam a motivação. Mas eis uma preocupação que merece reflexão. Para vencer os desafios impostos e provar da capacidade, muitas vezes acabamos deixando de lado princípios norteadores de nossa conduta e de nosso jeito de ser.
Nos transformamos, usando das mesmas armas das quais não aceitávamos, e assim, deixamos de lado a essência da virtude que nos moldou como ser, e com isto acabamos nos desvirtuando, e nos afastando dos valores.
Portanto, é preciso encarar os desafios, que nos engrandecem e nos fazem fortes, sejam eles quais forem, mas não esquecer, que para superá-los terá sido preciso o uso de nossa capacidade, de nossa força, de nosso jeito de ser e de agir. E para poder sorrir na alegria de mais uma vitória, precisamos ter presente que a batalha só foi válida se, ao olharmos nossas conquistas termos a certeza de que não há um outro a chorar com as feridas e marcas que possamos ter deixado nesta busca por nossos ideais.

Pensemos nisto, sempre.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Meu amigo invisível está aqui


Passei a conviver com um amigo invisível. Não sei se é o mesmo do meu tempo de criança. Tentei obter esta informação, mas está difícil. O ‘guri’ não para um minuto.
Jota Jota – sim, este é seu nome – é arteiro, moleque, brincalhão, mas quase sempre fala sério. Confunde-me a tal ponto que eu às vezes me pego a perguntar se é ele um adulto ou não. Aliás, me vejo assim – às vezes.
Jota Jota tem aparecido muito ultimamente – mesmo que os demais não o vejam. Observado coisas e conversado sobre elas.
Tem horas que ele demonstra tamanha carência de atenção, que ocupa demais o meu tempo. E eu ali, a conversar – e a ouvir suas histórias. Aliás, ele tem se queixado de algumas.
Por que é que eu fico ali em frente a TV assistindo uma novela – a de maior audiência da atualidade – ao invés de pegar um livro para ler? – Vive a me perguntar. Jota Jota às vezes é chato, mas é meu amigo.
Mas e o prazer de ver meus artistas preferido? – questiono. E eis que ele me detona essa: - Interpretando personagens sem escrúpulos, maquiavélicos, bandidos, corruptos? E ainda fica torcendo pela vilã, por ser a mais bela? É demais para minha cabeça.
Outro dia me ‘xaropeou’ ao perguntar o porque de – na expectativa de assistir a novela, eu ficara na sala olhando ao horário político. – Pô Jota Jota, fica no teu canto! Como é que eu vou votar, fazer a opção do melhor para minha cidade, exercer minha cidadania, se eu não souber quais são as propostas dos candidatos?
Mas como disse, meu amigo invisível é arteiro, inquieto. Disse-me ele, desesperançoso quanto à política e ao futuro: – Entre estes? – Pô Jota Jota....Assiste quieto, deixa-me decorar a canção deste candidato!
É amigos, Jota Jota está desacreditado da política. Afirmou dia desses que os bons são como ele, invisível. Não concordei. Mas ele é assim mesmo. Diz o que pensa e não permite ser contrariado. Não teve discussão. Deu por encerrado o assunto.
Este Jota Jota! Hoje me falou que, já que está quase sempre comigo, precisa aparecer mais nos meus textos aqui neste espaço. Lembrou que juntos percebemos os mesmos fatos do cotidiano, como bem diz a proposta desta coluna “Das coisas que vi....”.
Então meus caros, demos boas-vindas ao Jota Jota, o meu amigo invisível.
Ah, ele está dizendo que retorna na próxima.  E adianta pedir para que ele suma daqui?

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A coragem de Isadora


Escrevo este texto direto de Santa Catarina. Mais precisamente de Florianópolis, a ilha da magia. Minha estadia aqui, entre segunda-feira e quarta-feira foi cercada de curiosidades.  Bacana saber que a Capital catarinense, com seus mais de 420 mil habitantes, foi considerada a quarta cidade brasileira com a melhor qualidade devida do Brasil e, conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), a capital brasileira com o melhor índice de desenvolvimento humano, o IDH....claro que, referente ao ano de 2000.
Pena que o cartão-postal de Floripa, a famosa Ponte Hercílio Luz, inaugurada em 1926, e que foi a primeira ligação rodoviária entre a ilha e o continente, encontra-se interdita (há tempos). Mas mesmo assim, à noite, uma bela iluminação dá vida ao lugar.
Mas nesta semana, o assunto na cidade, no Estado, e no país, está relacionado à educação e as redes sociais. Tudo por conta de uma garotinha.  Isadora Faber, de 13 anos.
Mesmo sem querer, virou celebridade ao criar em julho uma página no Facebook para narrar as condições – não muito agradáveis – de sua escola.
Encontrou seguidores, adeptos à mesma bandeira, mas também represálias. Críticas e pressões de pessoas ligadas à educação e ao Poder Público, que não acharam nada bom a imagem negativa criada na rede, após as pessoas  apoiarem agarota e criticarem o abandono dos espaços públicos criados para proporcionar aos alunos, o acesso à educação.
Isadora postou fotos, vídeos e textos relatando os problemas na sua escola, que, a exemplo de tantas outras escolas públicas, possuem problemas como portas quebradas, instalação elétrica precária, professores que não conseguem dar aula. Na verdade, ela contrariou o cenário atual de silêncio na sociedade, que mesmo vendo a situação do ensino público brasileiro nada diz.
Ela virou um referencial. Primeiro foram alguns, depois milhares pelas redes sociais, a dizer que ela tinha razão em se manifestar. Aprovaram sua atitude. Aliás, menos os funcionários e gestores da escola. A menina chegou a ser pressionada para retirar determinados conteúdos do ar e – segundo seu próprio relato – passou a ser olhada com desprezo pelas funcionárias que atuam na cantina. Chegou, inclusive, a ouvir de sua diretora que ela teria que aguentar as consequências do que havia feito.
E elas vieram. Mas em forma de apoio. A imprensa nacional pautou o tema. Ela entrou a semana cumprindo uma agenda exaustiva de entrevistas. Globo, Veja, Correio Braziliense, emissoras de rádios, jornais....inúmeras foram as abordagens.
Bom, na terça-feira, quando optei em falar do assunto, o Jornal Hoje, da Rede Globo, gerou uma ampla reportagem, ouvindo Isadora, sua mãe, outras mães, estudantes e afirmara: sua página ultrapassou a marca de 60 mil seguidores. Enquanto escrevo este texto (meia-noite), já são 135 mil....
Isadora Faber, estudante da 7ª série da série, afirma que tomou tal atitude para mostrar a verdade sobre as escolas públicas. Disse que quer o melhor não só para ela, mas, para todos.
Ainda na terça-feira, diante de tamanha repercussão, a Secretária municipal de Educação aqui de Floripa resolveu se manifestar.
Em nota enviada à imprensa pela Assessoria de Comunicação, e que Isadora fez questão de publicar no Face a informação de que providencias passaram a ser tomadas, como uma reforma na escola, além de defender a liberdade de expressão da aluna que criou a página para falar sobre as condições da Escola Básica Maria Tomázia Coelho, situada no Santinho, Norte da Ilha de Santa Catarina. “Essa página veio inclusive nos auxiliar no monitoramento da escola. É uma espécie de ouvidoria”, destacou a secretária.
Já a diretora do educandário assumiu a responsabilidade por haver em sua escola uma gestão deficitária. “Eu assumo publicamente que ocorreu fragilidade na administração do estabelecimento. Vamos a partir de agora trabalhar de forma diferente a parte administrativa e a preservação do patrimônio público”.
Ah, a escola teve nota 6.1 no Índice de Desenvolvimento da Educação, o IDEB.
Bah...a guria causou uma revolução por aqui....puxou a orelha de todos nós, que na maioria das vezes nos acomodamos – e ficamos a reclamar em ‘silêncio’. Viva a Isadora. Viva a educação – não a que temos, a que merecemos.