sábado, 19 de julho de 2014

Amigos são diamantes!

“Eu quero ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar...”, dizia Roberto Carlos, em uma de suas canções nos anos 70. O verso integra uma obra que se imortalizou. Trata-se de um clássico. Refere-se ao desejo de não andar só no caminho, pois, com a presença do outro, e tantos outros, a quem se chamará de amigo, é possível vencer obstáculos, trilhar por caminhos corretos, se levantar diante da queda, seguir em frente.

É também do Rei outra afirmação, cantada em versos – aliás, composta com seu parceiro Erasmo, o tremendão: “Você meu amigo de fé, meu irmão camarada...” inicia a canção Amigo, na qual referencia toda a verdade que existe na relação de amizade entre duas pessoas que sabem reconhecer o valor do outro.
“...O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o mais certo das horas incertas...”, cita a obra, lembrando também que, em muitos momentos da vida, o amigo é capaz de apontar soluções, mesmo que, com apenas palavras ou gestos de carinho. “As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos de alguém para ajudar na saída. A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho...”

Assim é o amigo. Assim é a amizade. Temos alguém, que em todas as circunstâncias de nosso dia a dia, agem como um pilar, a manter nossas estruturas inabaladas, mesmo diante das tragédias, das dores e incertezas. Ah, a amizade. Qual é seu valor, afinal?
Um poeta bem nosso, e que deixou saudades, Rui Biriva também enalteceu a figura deste ser que exerce um poder especial sobre nós. Na canção do amigo, o Tchê Loco cantou que a “Amizade, é dom divino da paz. É poesia e violão cantando a mesma canção, com duas vozes iguais. São os diamantes da vida que brilham nos olhos da gente. Um amigo é para sempre, um amigo é para sempre”. Sabias palavras, não? “Diamantes da vida que brilham nos olhos da gente...”.
Versos que encantam, emocionam e nos fazem ver qual o verdadeiro sentido da palavra ‘Amigo’.

Padre Zezinho, um dos mais importantes nomes do catolicismo no Brasil, e cujas obras são conhecidas na América, um dia escreveu, e cantou com maestria que amigos são “luzes que brilham juntas, velas que juntas queimam no altar da esperança...”
Relatou que amigos são “trilhos que juntos percorrem os mesmos dormentes e vão terminar no mesmo lugar. São aves que vão em bando, verso que segue verso nas rimas da vida...São barcos que singram os mares, até separados, mas sabem o porto onde vão se encontrar...
E diz, que ‘são assim os amigos que a vida me deu...’. Ou seja, resumindo, disso muito.
Mas, e então, o que você acha? Como cantou Milton Nascimento, na obra composta com Fernando Brant, “Amigo é coisa para se guardar, debaixo de sete chaves...Dentro do coração”???

Mas então, onde estão seus amigos? Já deu um abraço? Já disse o quanto eles são importantes para ti?
Hoje, no Dia Internacional do Amigo, fica a certeza, declarada e eternizada pelo Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ou seja, o teu amigo.

.....’Amigos para sempre é o que devemos ser, na primavera ou em qualquer das estações....’

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Janeiros mudando nosso jeito de ser

Neste dia 27 de janeiro, uma das maiores tragédias de nosso país completa um ano. Notícia em todo o mundo, o incêndio que atingiu a boate Kiss, em Santa Maria-RS, deixou 242 mortos e 123 feridos. Em homenagem a todos os que partiram - e aos que ficaram com as marcas da dor, minha poesia, com carinho...

Sonhos desfeitos, assim de repente
Projetos jogados, todos pelo chão
É tão estranho ver tudo acabado
Desejos roubados, assim, sem razão.

Ficam as marcas, as cicatrizes
Que insistem em lembrar o quanto doeu
Ficam lembranças...de histórias tão lindas
Retratos da vida, que em mim não morreu.

Anjos existem, estão entre nós
Sorriso nos lábios, beleza sem fim
Estrelas que brilham, e que são nossa voz
São anjos heróis, eu sei que é assim

A juventude, que sempre é capaz
De nos mostrar que a paz vale à pena
Esta juventude não pode calar
É preciso trilhar, com amor, vida plena.

E que os janeiros de nossa história
Possam mudar nosso jeito de ser
E que o choro e nossa tristeza
Se transformem em amor, nos ensinem a viver.

Que a alegria, que é a marca dos jovens
Volte a reinar em meu coração
Que a dor que é minha - e ela eu não tinha
Me ensine a amar ainda mais meu irmão.

                                                (Claudiomiro Sorriso)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Velhice

Estamos vivendo mais uma semana do idoso. Aqui, ali, em todo o lugar, atividades concentram atenções para o tema. 
Debate-se políticas públicas para atender homens e mulheres que conseguiram vencer etapas e chegar firmes e fortes na chamada terceira idade. 
Olha-se com mais atenção para um Estatuto criado – e que pena que tem que ser assim – para dar melhores garantias a esta importante faixa da população.
Mas tem algo fascinante na tal da “velhice”. Vejo além dos cabelos brancos, mais do que as “marcas do tempo”. Vejo sabedoria. 
Aliás, que é conquistada passo a passo, ano após ano.
Fico a imaginar, ao ver um idoso a passar por mim: quanta coisa ele tem para ensinar. Quanta experiência adquirida.
Acho linda a velhice. Mas ela me incomoda. Lembro dos meus pais, já não mais presentes e me arrependo das coisas que não pude apreciar junto deles.
Acho linda a velhice. Mas me entristece. Quando percebo que para muitos vovôs, cheios de lições, a reta final de suas vidas é a solidão em um quarto de um asilo. 
Tudo bem, que em muitos lugares, são mais cuidados do que no berço familiar. Mas tinha que ser assim?
Acho lindo a velhice. Fico feliz ao ver a vitalidade de muitos, recomeçando aos 60, ao se reencontrar nos grupos da terceira idade. Quanta festa, quanta alegria, quanta disposição.
A prova viva de que é possível sim, ter um destino diferente. De que a dor pode ficar de lado, cicatrizada, e seguir em frente.
Viver, fazer amigos, amar. É, amar!!! Quem diria. O amor está presente, vivo, apaixonadamente a chama acesa, a mostrar a beleza de tão nobre sentimento. 
“Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a . Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem, Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos aos, estes ainda reservam prazeres”, disse Sêneca. E é assim, de fato.
Eu, como já afirmara no livro “De outras Almas”, lançado por mim e Clairto Martin, em 2006, não tenho medo da velhice “afinal, é o ciclo da vida. Não são as rugas no rosto, ou os cabelos brancos (que aliás, adoro!) que me incomodam. Meu medo é me afastar da criança que mora em mim”.
Bom, nesta semana especial do idoso, que saibamos olhar o outro – e a nós mesmos – e reconhecer que o trem da vida segue seu curso, e queremos estar nele, a desembarcar felizes em muitas estações e nelas, apreciar o belo, antes da parada final.

“...Quem dera, diferente fosse
E eu não vivesse sozinho
Quando chegasse aos 70
Cercado de amor e carinho....
Que fosse meu lar, minha pátria
E que os meus continuassem ao meu lado
Mesmo com o peso da idade
Poder amar e ser amado.” (Claudiomiro Sorriso)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O cuidado com os nossos ideais


Desafios nos engrandecem, nos tornam fortes. Diante deles, temos a chance de provar – a nós mesmos – nossa capacidade.
Desafios enobrecessem o ser, pois tornam-se práticas diárias de superação. E quando vencidos obstáculos, e, diante deles percebe-se vitórias, o sorriso estampado no rosto é o sinal de que valeu à pena lutar.
Somos desafiados, sempre. Nesta batalha cotidiana que é a vida e seus percalços, e que – na maioria das vezes – o jogo é desigual, somos chamados a mostrar do que somos capazes, mesmo que, isto já fora feito antes.
Não importa, viver em sociedade nos dias atuais, é isto, o desafio imposto é este: provar sempre.  Primeiro para si – de que é capaz de enfrentaras situações mais diversas mesmo diante da dor, da tristeza, da infelicidade presente ou da falta do reconhecimento.
Pois, este ‘provar a si’, vem seguido de um ingrediente a mais: provar aos outros. Sim meu caro. Quantas vezes você se deparou com esta situação? Mesmo na certeza de sua capacidade de produzir, de fazer bem – e fazer o bem – você foi desafiado a fazer ainda mais – e melhor.
Lutar, vencer, desistir jamais, afirmam as principais citações que enfocam a motivação. Mas eis uma preocupação que merece reflexão. Para vencer os desafios impostos e provar da capacidade, muitas vezes acabamos deixando de lado princípios norteadores de nossa conduta e de nosso jeito de ser.
Nos transformamos, usando das mesmas armas das quais não aceitávamos, e assim, deixamos de lado a essência da virtude que nos moldou como ser, e com isto acabamos nos desvirtuando, e nos afastando dos valores.
Portanto, é preciso encarar os desafios, que nos engrandecem e nos fazem fortes, sejam eles quais forem, mas não esquecer, que para superá-los terá sido preciso o uso de nossa capacidade, de nossa força, de nosso jeito de ser e de agir. E para poder sorrir na alegria de mais uma vitória, precisamos ter presente que a batalha só foi válida se, ao olharmos nossas conquistas termos a certeza de que não há um outro a chorar com as feridas e marcas que possamos ter deixado nesta busca por nossos ideais.

Pensemos nisto, sempre.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Meu amigo invisível está aqui


Passei a conviver com um amigo invisível. Não sei se é o mesmo do meu tempo de criança. Tentei obter esta informação, mas está difícil. O ‘guri’ não para um minuto.
Jota Jota – sim, este é seu nome – é arteiro, moleque, brincalhão, mas quase sempre fala sério. Confunde-me a tal ponto que eu às vezes me pego a perguntar se é ele um adulto ou não. Aliás, me vejo assim – às vezes.
Jota Jota tem aparecido muito ultimamente – mesmo que os demais não o vejam. Observado coisas e conversado sobre elas.
Tem horas que ele demonstra tamanha carência de atenção, que ocupa demais o meu tempo. E eu ali, a conversar – e a ouvir suas histórias. Aliás, ele tem se queixado de algumas.
Por que é que eu fico ali em frente a TV assistindo uma novela – a de maior audiência da atualidade – ao invés de pegar um livro para ler? – Vive a me perguntar. Jota Jota às vezes é chato, mas é meu amigo.
Mas e o prazer de ver meus artistas preferido? – questiono. E eis que ele me detona essa: - Interpretando personagens sem escrúpulos, maquiavélicos, bandidos, corruptos? E ainda fica torcendo pela vilã, por ser a mais bela? É demais para minha cabeça.
Outro dia me ‘xaropeou’ ao perguntar o porque de – na expectativa de assistir a novela, eu ficara na sala olhando ao horário político. – Pô Jota Jota, fica no teu canto! Como é que eu vou votar, fazer a opção do melhor para minha cidade, exercer minha cidadania, se eu não souber quais são as propostas dos candidatos?
Mas como disse, meu amigo invisível é arteiro, inquieto. Disse-me ele, desesperançoso quanto à política e ao futuro: – Entre estes? – Pô Jota Jota....Assiste quieto, deixa-me decorar a canção deste candidato!
É amigos, Jota Jota está desacreditado da política. Afirmou dia desses que os bons são como ele, invisível. Não concordei. Mas ele é assim mesmo. Diz o que pensa e não permite ser contrariado. Não teve discussão. Deu por encerrado o assunto.
Este Jota Jota! Hoje me falou que, já que está quase sempre comigo, precisa aparecer mais nos meus textos aqui neste espaço. Lembrou que juntos percebemos os mesmos fatos do cotidiano, como bem diz a proposta desta coluna “Das coisas que vi....”.
Então meus caros, demos boas-vindas ao Jota Jota, o meu amigo invisível.
Ah, ele está dizendo que retorna na próxima.  E adianta pedir para que ele suma daqui?