quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O cuidado com os nossos ideais


Desafios nos engrandecem, nos tornam fortes. Diante deles, temos a chance de provar – a nós mesmos – nossa capacidade.
Desafios enobrecessem o ser, pois tornam-se práticas diárias de superação. E quando vencidos obstáculos, e, diante deles percebe-se vitórias, o sorriso estampado no rosto é o sinal de que valeu à pena lutar.
Somos desafiados, sempre. Nesta batalha cotidiana que é a vida e seus percalços, e que – na maioria das vezes – o jogo é desigual, somos chamados a mostrar do que somos capazes, mesmo que, isto já fora feito antes.
Não importa, viver em sociedade nos dias atuais, é isto, o desafio imposto é este: provar sempre.  Primeiro para si – de que é capaz de enfrentaras situações mais diversas mesmo diante da dor, da tristeza, da infelicidade presente ou da falta do reconhecimento.
Pois, este ‘provar a si’, vem seguido de um ingrediente a mais: provar aos outros. Sim meu caro. Quantas vezes você se deparou com esta situação? Mesmo na certeza de sua capacidade de produzir, de fazer bem – e fazer o bem – você foi desafiado a fazer ainda mais – e melhor.
Lutar, vencer, desistir jamais, afirmam as principais citações que enfocam a motivação. Mas eis uma preocupação que merece reflexão. Para vencer os desafios impostos e provar da capacidade, muitas vezes acabamos deixando de lado princípios norteadores de nossa conduta e de nosso jeito de ser.
Nos transformamos, usando das mesmas armas das quais não aceitávamos, e assim, deixamos de lado a essência da virtude que nos moldou como ser, e com isto acabamos nos desvirtuando, e nos afastando dos valores.
Portanto, é preciso encarar os desafios, que nos engrandecem e nos fazem fortes, sejam eles quais forem, mas não esquecer, que para superá-los terá sido preciso o uso de nossa capacidade, de nossa força, de nosso jeito de ser e de agir. E para poder sorrir na alegria de mais uma vitória, precisamos ter presente que a batalha só foi válida se, ao olharmos nossas conquistas termos a certeza de que não há um outro a chorar com as feridas e marcas que possamos ter deixado nesta busca por nossos ideais.

Pensemos nisto, sempre.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O preço para ser feliz


“Pra ser feliz, o quanto de dinheiro eu preciso? Como é que se conquista o paraíso? Quanto custa, pro verdadeiro sorriso, brotar do coração?”.
Estes questionamentos são versos da canção Pra ser feliz, recém lançada em todo o país pelo cantor Daniel.
Trata-se de uma música, cuja proposta chama para a reflexão. Mostra, caro leitor, que é preciso desarmar o espírito para o encontro da verdadeira felicidade.
Mas, e aonde é que a encontramos?
Já disse aqui, meu caro, o quanto é demasiado preocupante nosso ritmo diário, e seu efeito para a nossa vida, nosso futuro.
Corremos atrás da felicidade, para no final, ver que ela estava tão perto, nas coisas mais simples. Acontece que o tempo passa depressa e muitos poderão correr o risco de perceber tarde demais.
“Às vezes é mais fácil reclamar da sorte do que na diversidade ser mais forte. Querer subir, sem batalhar, pedir carinho, sem se dar. Sem olhar do lado”, inicia assim a canção de Daniel, lembrando-nos de que é preciso ‘enfrentar’ os problemas de ‘frente’ – redundante, não? –. Mas é fato.
Diante de dificuldades, muitos se escondem, reclamam, queixam. Ficam assim, à espera de um milagre. Transformam seus problemas – indiferente do tamanho real – em gigantescas preocupações. Então, além de correr sem direção, passam a sofrer por antecipação, por não encontrarem respostas, portas, caminhos. E assim, passam a ser indiferente aos demais. – Só eu tenho problemas. Somente eu sou a vítima – afirmam, sem notar, que há muitos a sofrer ao seu lado, bem próximo, e que, se tivessem a mão amiga, o abraço fraterno, além de se sentirem melhor, poderiam ser o antídoto de suas próprias dores.
“Já imaginou de onde vem a luz de um cego. Já cogitou descer de cima do seu ego? Tem tanta gente por aí na exclusão, e ainda sorri...”, lembram os versos, como se quisesse apontar que a receita é essa. Sabermos traduzir emoções. Ver que no sorriso do outro há uma resposta aos nossos anseios.....Podemos vencer os desafios se enfrentarmos problemas de cabeça erguida. “Talvez a chave seja a simplicidade. Talvez prestar mais atenção na realidade.....Porque não ver como lição, o exemplo de superação de tantas pessoas?”, ressalta Daniel – que aliás, em seu clip oficial da canção, expõe cenas que ajudam na reflexão.
É meu caro, neste espaço, tenho trazido mais perguntas do que respostas. Mas tenho tentado apontar para esta direção: nossa missão é ser feliz. É aprender esta bela arte de ser Humano. E superando obstáculos, levantar a cada tombo, sorrindo para o novo dia, a nova oportunidade, os novos desafios.
Que saibamos ser feliz e encontremos respostas para a indagação feita por Daniel: “Quanto custa, pro verdadeiro sorriso, brotar do coração?”.......

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Falando em política...


Eles estão nas ruas. Bandeiras em punho, material impresso na mão, jingles tocando e militância acompanhando. A campanha política, mesmo que de forma tímida, está aí.
Bom caro amigo, estou falando de política neste espaço criado com a proposta de falar de tudo, menos deste tema. Mas não tem jeito. Este momento me encanta, é especial.
Principalmente por ser uma eleição em âmbito municipal, e cujo pleito mexe com a vida de tanta gente ao nosso redor.
Então, preciso dizer. Gosto de ver bandeiras tremulando e pessoas identificadas com elas. Gosto de receber os chamados ‘santinhos’ (quem será que deu este nome), de ouvir candidatos, e saber de suas propostas. Afinal, o que eles falam que pretendem fazer diz respeito a mim, aos meus, a todos nós. Então, antes da escolha, é preciso ouvi-los.
São homens e mulheres (em menos quantidade, é bem verdade) que merecem consideração. Sei de muitos, como você caro leitor, que diz não gostar da política – e de políticos – e que, por causa de tantas ‘lambanças’ por aí a fora, ficou desacreditado destes que, em muitas vezes acabaram por não cumprirem seu papel após receberem seu voto. Mas sei também, que desde que a democracia passou a vigorar e nos dar o direito a escolher representantes, temos mais voz, e vez. Viva a democracia – apesar de tantos erros, avançamos (e isto é bom).
Então, convido-o a uma reflexão. Neste período de campanha nas ruas (e logo vem o horário eleitoral no rádio e TV), que saibamos olhar para aquele vizinho, aquele colega, aquele conhecido da gente – pessoas a quem sempre nos relacionamos bem – com o mesmo respeito.
Veja bem, ele não mudou. Ele teve a coragem que você não teve. Ele ousou sonhar, fazer a diferença. Ao invés de criticar, decidiu em fazer história.
Agora, sendo eleito, ele fará as mudanças necessárias? Vai corresponder a suas expectativas? Isto, só o tempo dirá. O fato, é que em nossas mãos, temos uma arma poderosa: o voto. Saibamos usá-la.
Pois é. Você deve estar pensando: a coluna não falou do cotidiano, não falou da vida, das relações humanas...
E eu lhe digo. Falei sim. Em cada palavra, em cada frase. Afinal, fazer política é sonhar com um lugar mais digno, melhor, é ter ideal – independente das cores partidárias.   
E tudo isso, resumo nos versos da canção Gente Humilde, composta por Garoto e Vinicius de Moraes:
Tem certos dias, em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a tudo quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
.....
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde que vontade de chorar
  

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Gentil - Gentileza


Hoje, meu caro, é dia da gentileza. Não, não está no calendário. Aliás, nem é preciso um dia específico para tal atitude. Ser gentil é pratica do ser humano, que vive em sociedade, independente de raça, cor ou religião. É caráter primordial para uma boa e agradável convivência no cotidiano.
Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo.
Ou seja, trata-se de um atributo que vai além de cumprir regras de etiquetas. É mais do que questão de educação. O fato, é que vem de berço a prática de tal gesto.
Se fomos ensinados por nossos pais a forjarmos um caráter cuja relação com o outro passa pela arte de ser gentil, por que então ser diferente?
Aliás, o que é ser gentil? Qual a virtude de uma pessoa que exerce e pratica gestos de gentileza?
De vez em quando percebo que tal atitude tem ficado de lado, esquecida. Deu lugar a perfis diferenciados de individualismo. Acabamos por ver, aqui e ali, situações que nos fazem pensar: como pode um jovem tão cheio de vida tratar um senhor de idade daquela maneira? Cadê a gentileza? E percebemos isto nos ônibus, nas filas de bancos ou supermercados.  Aliás, vai além.   
Gentileza se trata de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética. Mais: tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos.
Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.
Na convivência diária, quantos você conhece que, por falta de respeito, consideração – e até mesmo de educação – deixam de lado gestos simples como um ‘olá, como vai?’, ‘bom dia’, ou um ‘muito obrigado’....????
É, talvez pela dureza da rotina diária, ou por ideias equivocadas de que é preciso correr, correr e correr para conseguir mais – ou chegar antes – estas pessoas acabam perdendo a essência, tornando-se insensíveis, e com menos amor no coração.
Um dia o teólogo Leonardo Boff afirmou que não serão os nossos gritos que farão a diferença, mas sim a força contida em nossas ações, mesmo que as mais delicadas e integras. Ou seja. Ser gentil é fazer a diferença.
Recordo-me de uma bela canção interpretada por Marisa Monte na qual ela relata a história de uma figura carismática: o profeta Gentileza. Um paulista que se tornou uma personalidade urbana no Rio de Janeiro. Com sua túnica branca e longa barba e ficou conhecido nos anos 80 quando escrevia em paredes de um viaduto palavras gentis que acabam por mexer com as pessoas. Uma de suas frases mais conhecidas foi a que se tornou um bordão: “Gentileza gera gentileza”.
Andarilho, pregava palavras de amor, carinho e de bondade. Ele morreu em 1996.
Na canção, Marisa diz: “Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade. Merecemos ler as letras e as palavras de Gentileza. Por isso eu pergunto a você no mundo, se é mais inteligente o livro ou a sabedoria”....
Então, sejamos gentis uns com os outros, isto só engrandecem nosso ser....Ah, e obrigado amigos pelo carinho de sempre diante de minhas palavras e o meu modo de contar ‘Das coisas que vi – e ouvi”.



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Amigos são diamantes


“Eu quero ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar...”, dizia Roberto Carlos, em uma de suas canções nos anos 70. O verso, integra uma obra que se imortalizou. Trata-se de um clássico. Refere-se ao desejo de não andar só no caminho, pois, com a presença do outro, e tantos outros, a quem se chamará de amigo, é possível vencer obstáculos, trilhar por caminhos corretos, se levantar diante da queda, seguir em frente.
É também do Rei outra afirmação, cantada em versos – aliás, composta com seu parceiro Erasmo, o tremendão: “Você meu amigo de fé, meu irmão camarada...” inicia a canção Amigo, na qual referencia toda a verdade que existe na relação de amizade entre duas pessoas que sabem reconhecer o valor do outro.
“...O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o mais certo das horas incertas...”, cita a obra, lembrando também que, em muitos momentos da vida, o amigo é capaz de apontar soluções, mesmo que, com apenas palavras ou gestos de carinho. “As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos de alguém para ajudar na saída. A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho...”
Assim é o amigo. Assim é a amizade. Temos alguém, que em todas as circunstâncias de nosso dia a dia, agem como um pilar, a manter nossas estruturas inabaladas, mesmo diante das tragédias, das dores e incertezas. Ah, a amizade. Qual é seu valor, afinal?
Um poeta bem nosso, e que deixou saudades, Rui Biriva também enalteceu a figura deste ser que exerce um poder especial sobre nós. Na canção do amigo, o Tchê Loco cantou que a “Amizade, é dom divino da paz. É poesia e violão cantando a mesma canção, com duas vozes iguais. São os diamantes da vida que brilham nos olhos da gente. Um amigo é para sempre, um amigo é para sempre”. Sabias palavras, não? “Diamantes da vida que brilham nos olhos da gente...”.
Versos que encantam, emocionam e nos fazem ver qual o verdadeiro sentido da palavra ‘Amigo’.
Padre Zezinho, um dos mais importantes nomes do catolicismo no Brasil, e cujas obras são conhecidas na América, um dia escreveu, e cantou com maestria que amigos são “luzes que brilham juntas, velas que juntas queimam no altar da esperança...”
Relatou que amigos são “trilhos que juntos percorrem os mesmos dormentes e vão terminar no mesmo lugar. São aves que vão em bando, verso que segue verso nas rimas da vida...São barcos que singram os mares, até separados, mas sabem o porto onde vão se encontrar...
E diz, que ‘são assim os amigos que a vida me deu...’. Ou seja, resumindo, disso muito.
Mas, e então, o que você acha? Como cantou Milton Nascimento, na obra composta com Fernando Brant, “Amigo é coisa para se guardar, debaixo de sete chaves...Dentro do coração”???
Mas então, onde estão seus amigos? Já deu um abraço? Já disse o quanto eles são importantes para ti?
Hoje, no Dia Internacional do Amigo, fica a certeza, declarada e eternizada pelo Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ou seja, o teu amigo.
.....’Amigos para sempre é o que devemos ser, na primavera ou em qualquer das estações....’ 



sábado, 14 de julho de 2012

Das ações


Eles foram notícia na semana. Não em páginas policiais, em editorias políticas que destacavam desvios, corrupções, ou nos fatos internacionais, nas coberturas das guerras, das mortes no trânsito, da batalha fora de campo de torcidas que deixam de lado o belo do esporte para se tornar agressor, assassinos. Eles não integram estatísticas mas fazem história. E que bela história. Por que? Por suas ações.
Rejaniel de Jesus Silva dos Santos é mais um daqueles brasileiros que, ao tentar a sorte nos grandes centros, se perdeu em meio à multidão. Tornou-se morador de rua. Mais um. E no dia a dia, com trabalho simples de reciclar o lixo, tentava o pão.
Ele, e sua companheira na rua. Em baixo da ponte. Sem teto, sem abrigo, sem esperanças de dias melhores (talvez).
Ele, mais um brasileiro. Um anônimo na grande metrópole. Um ser humano, que, na essência trazia consigo o ensinamento de seus pais, com orgulho. As regras – que fizeram de si um homem honesto e educado, foram colocadas em prática.
Rejaniel, mais um Silva, mais um Jesus, mais um Santo....morador de rua, talvez rezasse a noite por dias melhores. Talvez pedisse a Deus em suas orações, mais do que proteção nas madrugadas, já que morava na rua. Quem sabe, pedia um sinal, uma oportunidade.
E eis, que ele – e sua companheira – viram notícia. E do fato, nos dão exemplo.
Encontraram R$ 20 mil. Uma grana preta, para quem nada tem. Ali, a solução dos problemas. Mas ser honesto foi o que aprendeu no berço. E a regra falou mais alto.
Os R$ 20 mil, que bandidos haviam roubado de um restaurante, e agora encontrados pelo casal, tiveram um destino: retornaram para a mão dos donos, dos verdadeiros donos. As vítimas, não pensaram duas vezes. Ao verem tamanho gesto de honestidade, retribuíram à altura. Ofereceram, comida, palavras de carinho e de agradecimento. E mais, a oportunidade daqueles moradores de rua terem de volta a dignidade. Eles terão trabalho, salário e condições para saírem das ruas da grande metrópole.   
Voltam a sentir-se cidadão, de fato.
Uma notícia a ser compartilhada. Um tema ser debatido em nossos lares. Como pais e educadores temos que dar exemplos. E eis um à altura.
E vivam as boas ações...e seus resultados.
E para reflexão, a nova canção de Daniel, que tem tudo a ver com o tema....
"Pra ser feliz" 



sábado, 7 de julho de 2012

Um pouco de si, de nós


Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha. É porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.
As palavras são de Charles Chaplin, o mestre, e revela uma sublime verdade. Não estamos sós neste universo, mesmo se nossa opção for viver solitariamente. Neste mundo, atualmente de 7 bilhões de seres, somos mais um, mas somos no contexto, a soma. Assim caminha a humanidade.
E neste caminhar, encontramos-nos um com o outro, e neste encontro do cotidiano, somos levado à experiência da convivência.
Juntos, aprendemos a conviver, mesmo diante às diferenças do outro – e nossas. E neste aprendizado crescemos.
Mas, e quando partimos? Quando deixamos (ou somos deixados) o outro, a prosseguir nossa estrada, o que fica?
Sim, meu caro, Charles Chaplin, foi magnífico, ao fazer tal afirmação: “Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós”.
Do encontro, da convivência, das relações humanas, damos – e recebemos – o melhor. É necessário que seja assim. É imprescindível que saibamos interpretarmos e nos observarmos melhores do que antes, a partir de cada experiência adquirida. Não é assim com os erros? Vai dizer que não aproveitamos a experiências das iniciativas mal sucedidas para colocá-las ao nosso favor em um novo cenário, uma nova decisão? Amadurecemos, crescemos. E assim, nos tornamos mais fortes.
O outro, que passa em nossa vida, nos deixa melhor, nos faz melhor, porque nos oferece o que tem de bom. Seja na amizade compartilhada, no amor vivido, não importa. Depois do primeiro encontro já não somos os mesmos. Quem segue, deixa sim em nós um pouco de si, de seu jeito de ser, de sua forma de olhar a vida, de amar. E ao seguir, leva também o que de nós foi revelado.
Que experiência fantástica. Não somos os mesmos. E que vai em frente, também.
O diferencial disto tudo é que temos a oportunidade diária de fazer com que o outro leve consigo o que de bom temos. Isto servirá para que a caminhada do Humano Ser, seja mais aprazível, e que, com a experiência da troca, todos saibam reconhecer o valor. E assim, crescer.
"Fica sempre o cheiro de perfume nas mãos de quem oferece flores". 
Que possamos ser assim, os que cultivam rosas e distribuem, independente de quem quer que seja o outro.

sábado, 30 de junho de 2012

Ação e reação


“Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta........E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada”.
Em que momento devemos reagir? Em que estágio das situações cotidianas devemos demonstrar nossa capacidade, força, e, até mesmo, indignação?
Eis aí questionamentos tão presentes no dia-a-dia, cujas respostas, desconhecemos.
Sim, meu caro. Muitas foram às vezes em que me calei diante de situações que exigiam a resposta imediata, a reação na hora exata, no mesmo instante. Nada fiz, nada disse. Calei-me.
É claro, que em muitos casos, esta é a melhor saída. Silenciar-se a fim de refletir diante de tal circunstância e, após o silêncio, recomposto, ter força suficiente para enfrentar tal situação.
Mas há, meus caros, momentos na vida em que é preciso agir. Mostrar força, garra, determinação e até coragem, para enfrentar problemas, perigos, - e os inimigos.    
Aliás, os inimigos agem de formas diversas. Se apresentam de maneira diferente e – desta forma – acabam vencendo.
Eis o resumo. Eis a verdade. Eis o cenário, que surpreende e nos faz refletir. Deixamos o outro agir, e, por falta de coragem – ou força – acabamos por ser derrotados.
E esta derrota pode custar caro. Se não vejamos: e se nosso silêncio for relacionado aos nossos filhos? E se nos calamos diante de dilemas que referem-se ao nosso papel como pais e educadores? E se, ao não reagirmos, criarmos condições favoráveis para que o ‘inimigo’ invada nosso lar e nos tire o que há nós é precioso? E não falo de bens materiais.
Temos que ser fortes, estar preparados, enfrentar os medos, as inseguranças, os desafios, mesmo diante de um inimigo poderoso, valente, forte demais.
Se deixarmos ele agir, no primeiro passo, a exemplo da reflexão acima, daremos a ele a oportunidade de continuar e, quando menos se esperar, como um piscar de olhos, teremos sido derrotados sumariamente, sem direito à defesa. E o pior, em nosso próprio território.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O que eu ganho com isso?


Quantas vezes você já ouviu tal questionamento, diante de conversas e pedidos a respeito de fazer alguma coisa por alguém. A pergunta se refere a qual vantagem terá a pessoa ao desempenhar tal tarefa.
Neste mundo materialista, onde se corre a todo tempo, e de forma intensa, atrás de dinheiro e reconhecimento – não necessariamente ambas as coisas – tudo tem um preço. O que vou adquirir, o meu preparo para prosseguir e as ferramentas para desempenhar tarefas, tudo – mas tudo mesmo – tem um valor a ser pago. Não vem de graça.
Então, o que vou ganhar com isso acaba sendo uma filosofia. Se vou fazer algo, independente do sua dimensão ou importância, não pode sair de graça.
Mas dentro do espírito humanitário – e cristão – fazer algo por alguém não tem preço e, por tanto, não deve ser cobrado – ou pago.
Falo das situações onde posso ser voluntário, dedicar-me pela causa, e, por ter conhecimento, oferecer algo a mais diante dos cenários. Voluntariado, eis uma palavra de ordem, a qual me inspira muito.
Se posso fazer, e fazendo, ser um instrumento de transformação, por que não fazer? Por que não começar?
Conheço muitos, de origens distintas, diferentes classes, e situações diversas, que fazem, e muito. E ao fazer encontram na ação a resposta para a pergunta: o que eu ganho com isso?
Não, não é dinheiro que elas recebem ao final da tarefa. Não são valores financeiros que as movem e motivam a fazer mais. Mas fazem, um pouco aqui, outro ali, e cada vez mais.
Ser voluntário é isso. É ampliar horizontes. E dedicar-se a causas que se entendem justas. E por fazerem, possuem a percepção de que todas são justas. Torna-se bandeira, filosofia.
Sim, sabem o que ganham com isso. E não tem preço. São mais felizes. Dormem bem, dormem em paz e com a vontade de fazer ainda mais, sempre mais.
Enquanto isso, tantos outros, e com mais condições, continuam a buscar respostas para a pergunta: o que ganho com isso? Não encontram. Pois se não fazem, nunca saberão.
Você já observou o quanto são felizes as pessoas que atuam nas festas em comunidades, em serviços de pastorais em igrejas, em ministérios, em missões, nas entidades assistenciais de sua cidade?
Há algo que as completa, e, se sombras de dúvidas, é resultado do serviço que prestam. E as vezes, buscam forças, sabe-se lá, de onde, para fazer o bem ao outro (vejam as voluntárias da Liga de Combate ao Câncer, Mama Viva e outras entidades, onde se sabe, quem ali está, muitas vezes passou pelo sofrimento, pela dor, mas venceu. E ao vencer, resolveu se entregar pela causa. E a causa é nobre.
O que ganho com isso? Pergunte-se, quando for convidado para ações sociais. Mas encontre a resposta fazendo. Verá que ganhou bem mais do que vale. Até porque, ser voluntário, ser cristão, ser humano, ah, não tem preço. Tenha certeza. Eu acredito.    


sábado, 16 de junho de 2012

Meu medo


Sim, eu tenho medo. Não do escuro, ou do bicho papão. Não de assombração, de cara feia, do inimigo, ou do bandido. Tenho medo da morte. Sim meu caro. Há de se ter coragem para afirmar isso. E sou corajoso o suficiente para afirmar que tenho medo.
Culturalmente não fomos preparados para enfrentar a morte. Para lidar com as perdas, e, dia a dia, nos despedimos, mesmo sem querer – ou aceitar – de pessoas que são para nós especiais. A cada um é chegada sua hora, não importando a hora. E dizemos adeus, permanecendo com a dor, a lembrança, a saudade. Temos medo de perder quem amamos. Sim, de fato. Mas e a gente? E sobre a nossa hora? Eu confesso, não estou preparado.
Tema ‘sinistro’, não? Não! 
 
As religiões – e eu sou católico convicto – nos ensinam, cada uma a sua maneira, dentro de sua doutrina, que devemos estar preparados, sempre. Mas e daí? Eu tenho medo.
E que medo é este? De deixar repentinamente os que me amam e os que amo. De partir sem dizer o último adeus, sem uma despedida triunfal, sem falar o quanto foram formidáveis estarem em minha companhia. 
Este é o meu medo. Apagar as luzes sem que eu tenha contemplado a última cena. Sem que eu possa dizer que o espetáculo foi maravilhoso.
 
Tenho pensado nisso. Não no adeus ou da hora marcada. É que tem me servido para reflexão. Aliás, é no cotidiano da vida que devemos refletir, a fim de compreendermos sobre nossa presença neste mundo.
Tudo bem, dirão que o medo de morrer nos mata por antecipação. Mas o tema serve como análise da vida.
Sim, se tenho, caro leitor, o medo da morte, preciso saber viver, até porque não sei qual é minha hora.
 
Então, devo olhar para minha caminhada como ser humano e meu comportamento diante da vida e desta forma, me policiar, me corrigir. 
Devo errar menos, e aprender com os desacertos. E nesta correção ser melhor a cada instante, e assim, viver mais. Que estranho, não? Para superar meu medo da morte, devo viver melhor. 
E até a hora derradeira, amar mais – com provas concretas – aos que me cercam, aos que me amam. Provar a todo o instante o quanto sou feliz por tê-los ao meu lado.  E assim, provar a toda hora o quando tem sido válido chegar até aqui. O quanto tem sido especial os dias de sol – mesmo diante de momentos nebulosos. Então, intensamente viver.
 
Conheço muitos que morreram sem que tivessem realizado sonhos. Focaram os projetos, juntaram riquezas, viveram de menos, amaram de menos, buscaram de mais. E nesta busca, se perderam no caminho. E, sem a oportunidade de mais uma chance, partiram. 
 
O mapa do tesouro na mão fora mais importante do que as pessoas ao seu lado. Não souberam reconhecer o ouro que possuíam. 
 
Pois bem, o medo? Ah, ele vai permanecer comigo. Mas vou vivendo – e bem, a cada minuto (pensando – e agindo – onde posso melhorar). 
 
“Eu aprendi a ter, tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder.
E eu que tive um começo feliz, do resto não sei dizer” – Renato Russo 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Julgamentos


Assisti atentamente no último domingo a entrevista concedida por Vanusa ao Fantástico. A cantora, hoje com 64 anos, e que no movimento da Jovem Guarda fez história ao lançar grandes hits que se transformaram em obras inesquecíveis, está voltando, após cinco meses internada em uma clínica no interior de São Paulo, onde passou por um longo tratamento de desintoxicação.
A intérprete de “Pra nunca mais chorar” e “Manhãs de setembro”, havia saído de cena, depois de ter sido alvo de gozações. Ela estava sendo lembrada não por sua obra, e sim, por ter protagonizado cenas que, caído na Internet, a ridicularizaram.
‘Pagou o mico’, como se diz na gíria, ao esquecer a letra do Hino Nacional em sessão da Assembléia Legislativa de São Paulo em 2009 e de, no ano passado, misturar letras em outra apresentação.  Nas redes sociais, foi o alvo. Todos riram. Aliás, eu também.
Ela contou, de cara limpa, em rede nacional, que tomava muitos remédios, de todos os tipos. Estava doente. Viciado nos medicamentos de tarja preta, e mais, desenvolveu uma compulsão por eles.
Além disso, passou a consumir bebidas alcoólicas. Por que? "Quando eu chegava nos lugares e via as pessoas felizes, eu queria aquela felicidade para mim. Eu bebia, e por pouco que eu tomasse, potencializava todos aqueles remédios. Você começa a achar que o mundo te esqueceu, que você não é digna de estar viva”, declarou. Percebeu então que precisava de ajuda. E buscou.
E nas redes sociais, na Internet, nos programas de humor na TV, ela era motivo de ‘chacota’ e o povo, todos nós, ríamos de sua ‘desgraça’, sem conhecer sua verdade.
 "Minha vontade era sumir, desaparecer”, disse ela.
Bom, por que falo dela, e deste tema na coluna desta semana?
Pelo fato de que, ao entrar na ‘onda’ e achar graça do feito, esqueci – assim como todos, do ser humano na outra ponta. Rimos todos, satirizamos, sem saber o que de fato estava ocorrendo.
Assistindo-a. Ouvindo-a atentamente, fiquei a refletir: como podemos nós agir assim? Como somos capazes de rir da ‘desgraça’ alheia? Por que julgamos os outros – e os condenamos – sem sequer dar-lhes o direito da defesa, da apresentação dos argumentos, das explicações?
Rimos do outro e esquecemos dos sentimentos. Sim, porque na verdade, se vemos na rua um idoso cair e a cena for – digamos – espetacular, não olhamos para a dor que ele sente mas sim, enaltecemos o ‘belo tombo’. Tudo bem, você dirá: eu não sou assim! E nem estou afirmando isso. Mas se olharmos para nossas ações, nossas atitudes, vamos ver que, volta e meia ‘somos sim, assim’.
“Não julgueis para não ser julgados”. É bíblico, é do cristianismo. É regra para o ser humano. Mas quantos de nós esquecemos desta verdade e passamos a vida a destilar ‘nosso veneno’. Apontamos erros – dos outros – repreendemos as falhas e atitudes – dos outros – e condenamos seus deslizes, seus tropeços nesta experiência de Humano Ser. Não percebemos que por trás de cada erro, cada queda, cada falha – independente do seu tamanho – houve a tentativa do acerto, do fazer o melhor, do servir.
Pensemos nisso. Eu estou pensando. Aliás, refletindo ao ouvir a canção “Palhaço” interpretada por Vanusa. Um sucesso que ela também errou a letra e que – a letra – ironicamente nos dá seu recado...

Vejam só
Que história boba eu tenho pra contar
Quem é que vai querer acreditar
Eu sou palhaço sem querer

Vejam só
Que coisa incrível o meu coração
Todo pintado nessa solidão
Espera a hora de sonhar

Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos representam bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço é natural....

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Flor do deserto


“Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”. A frase foi imortalizada no personagem Pequeno Príncipe, obra do francês Antoine de Saint-Exupéry, e que até hoje encanta o mundo.
O morador solitário do minúsculo B-612 gostava de viajar pela galáxia e em suas andanças conhecer pessoas, fazer amigos, se aventurar.
Tinha ele sim, sede de encontrar amigos. Conhecê-los o faziam sentir-se bem.
E a cada novo contato, nova experiência, o desejo por mais conhecimento e conquistas se ampliava.
É dele, o Pequeno Príncipe, a frase – também eternizada pelo tempo - “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Sem sombra de dúvidas, um recado corretamente perfeito para cada um de nós, nos dias atuais.
Aliás, no contexto geral, o personagem faz isso em todas as situações.
O livro foi lançado em 1945 e parece inacreditável que tal frase “Num mundo que se faz deserto”, temos sede de encontrar um amigo caiba bem nos dias atuais, passados 67 anos de sua publicação.
E de fato, muitas vezes nos deparamos com tal cenário. Somos um único e solitário em meio à multidão. Corremos, incessantemente em busca do que nos preenche, completa. E não encontramos, e continuamos a busca. E nos perdemos. Conheço tantos assim.
Seja no campo material ou no espiritual, vê-se pessoas perdidas e a procura, de si, ou de algo mais.
Infelizes e com uma espécie de vazio – muitas vezes inexplicável – correm (quando não se escondem) e, entre tantos outros que vem e vão, se deparam com uma paisagem morta, pálida, desértica. Precisam se encontrar, encontrar, viver.
Precisam do abraço, do carinho, do ombro amigo. Necessitam de, neste mundo que se faz deserto, matar a sede – de encontrar um amigo.
E neste encontro – ou reencontro – fazer valer a máxima, de que precisa cumprir o estabelecido. Já não está só, e tendo conquistado, cativado, acaba se tornando responsável – inteiramente responsável – pelo outro. E assim, nesta troca, preenchendo o vazio, pois é com o outro que se completa.
Antoine de Saint-Exupéry foi feliz na inspiração para compor o clássico. Afirmara no texto do Pequeno Príncipe, o quanto era necessário dar valor à rosa do jardim. No caso, à pessoa a qual, encontrada no deserto da vida, tornara-se especial.  “Foi o tempo que investiste em tua rosa que fez tua rosa tão importante”.
E é este tempo que devemos ter. E neste cultivar, conquistar, reconquistar – fazer valer à pena.
Olhar o mundo com olhos de amor. Ver que não estamos só neste universo. Que somos parte de um todo e – na busca em fortalecer a caminhada como aprendizes na tarefa de Humano Ser, viver.
Ah, e não esquecer, conforme ensina Antoine de Saint-Exupéry que “apenas se vê bem com o coração, pois nas horas graves os olhos ficam cegos”.







quinta-feira, 19 de abril de 2012

Livrar-se do ouriço de nossa alma

Pois bem, não guardo mágoas...sou deste jeito. Acredito no Humano ser. 
A cada tombo que levo pela maldade do outro, me fortaleço, por ver que sou diferente, e que não uso das mesmas armas. O que ganho? Tranquilidade ao colocar a cabeça no travesseiro.
Tem sido assim, meu jeito de ser, minha filosofia, minha maneira de ver a vida – e viver.
Não. A tarefa não é fácil. Eis uma dura e árdua batalha. Que desafio é este ‘imposto’ pelo cristianismo, de que é preciso amar até o inimigo? Como esquecer mágoas, rancores e decepções deixadas pelo outro e, diante disto, continuar amando?
Quais são as respostas? O que diria você, caro leitor?
Mas isto é da condição humana. Segundo Fábio de Melo, o padre, “a vida cristã nos coloca na condição de "canteiro de obras". Nunca estamos prontos”. E que bom que seja assim. Vamos caminhando, vamos aprendendo a ser um Ser. E neste desafio, convivendo com as agruras da vida. Tudo bem, não é fácil. Mas quem disse que seria?
Aliás, Oscar Wilde apontou um dia: “Não deixe de perdoar os seus inimigos - nada os aborrece tanto”. Que coisa, não? Profunda.
Dia desses, perguntaram-me sobre o que penso sobre tudo isso e qual minha posição diante de tal cenário. “Se tenho inimigos e como trato este assunto”.
Respondi: os admiro. Afinal, eles sempre estão na platéia. Ficam ali a me olhar, não aplaudem – é óbvio – mas sempre estão ali. Eu os vejo e sigo em frente. Enquanto o ódio os corrói por dentro, prossigo, vivo. Eles não, coitados. Ficam na expectativa em ver meu fracasso. Não vivem. Suas atenções se voltam a mim. Eu sigo.
Como disse, não uso das mesmas armas. Aliás, tenho um compromisso. Assim como disse Fábio de Melo (outra vez): “Meu compromisso cotidiano é expulsar o ouriço que tenho na alma”. Uma metáfora perfeita.
O ouriço é aquele bichinho que conta com a sua coloração como camuflagem, mas quando ameaçado enrola-se como uma bola expondo apenas a face coberta de espinhos. Estes espinhos o protegem do inimigo.
Mas então, expulsar o ouriço da alma, é isso, jogar fora estes espinhos que, estando por dentro, como se a nos proteger, apenas vão nos ferindo. Na alma então, como aponta o sacerdote, é machucar a cada segundo, a cada respirar. Como se estivesse dizendo: não é ao outro que você está fazendo mal. É a ti mesmo.
Ter um ouriço é ter ódio, rancor, mágoas pelas ações, atitudes ou jeito de ser do outro e, ao desejá-lo o mal na mesma intensidade das nossas feridas, abertas por ele, acabamos fazendo – e trazendo – o mal a nós mesmos. Mais um desafio. Mais uma tarefa. Outro ‘inimigo’ a ser destruído por nós mesmos: o ódio que vive em nós.  

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ao povo, a rua

Circulei entre eles, por alguns minutos. Vi em seus olhares o desejo de dias melhores. Mas também, a certeza de que a batalha é válida.
Nossos agricultores tomaram as ruas de Santa Rosa na manhã desta quinta-feira. Com gritos de guerra, empunhando bandeiras, eles deixarem seus lares, suas propriedades onde o verde sumiu neste último verão, e por aqui marcharam.
Protestaram indignados contra governos, contra projetos – ou falta deles – contra descasos, desmandos e mostraram estarem esperançosos por políticas públicas que os atendam. Tudo válido. Tudo verdadeiro.
Circulei entre eles, por alguns minutos. Prestei atenção em seus olhares.
Não se importavam com o forte calor da manhã. Afinal, esta é a rotina diária.
Ferramentas nas mãos calejadas e o sol a queimar a pele, vivem na lida. Na dura lida e com os sonhos de dias melhores.
Eles protestaram. Tomaram às ruas. Tinham bandeiras. Importantes bandeiras a defender, das quais, muitas ‘eternas’. Marcharam em um grito de alerta.
Enquanto isso, nas calçadas, nas sombras de árvores ou das marquises, ou dentro dos prédios climatizados, em seu trabalho ou apartamentos, o povo os assistiam. Talvez a se perguntar: De novo vocês?
Os agricultores nas ruas. Protestaram. Pediram. Mostraram a cara em mais uma quente manhã.
No mesmo instante, pelas redes sociais na Internet, internautas postavam sua indignação por causa da corrupção no país, do descaso com a saúde pública no país e até mesmo pelos buracos das ruas da cidade – que aliás, estão desaparecendo neste ano ‘atípico’.
Nossos colonos na rua. Circulei entre eles. E neles eu vi o sorriso no rosto. Uma alegria por saber que é preciso lutar. Meninos, eu vi. E gostei do que vi.
Bandeiras na rua – não partidárias – em prol de ideais.

“Vem, vamos embora
que esperar não é saber.
Quem sabe faz a hora
não espera acontecer”Geraldo Vandré   

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sim, Cidadão

Na última semana, como tem ocorrido costumeiramente, cumpri compromissos em Porto Alegre junto ao Sindicato dos Radialistas, do qual sou um dos diretores.
Ir à Capital, me faz bem. Não porque retorno à minha cidade natal, mas é pelo fato de gostar do contato com a parte cultural tão presente, por todos os lados da grande metrópole.
Me encanta o povo, no seu ir e vir, correndo – sempre correndo – apressadamente, mas com um sorriso no rosto. Alegre, como se estivesse a enaltecer a vida – independente dos desafios diários – e da distância.
Mas não foi o teatro, o museu, o pôr-do-sol no Guaíba, ou shows – na semana de aniversário de Porto Alegre – que me chamaram a atenção e que serviram de inspiração para este texto. Não quero falar da viagem, mas sim, como sempre me proponho, das coisas que vi.
Eis a cena: 
Praça da Matriz, Palácio Piratini, Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça e Catedral Metropolitana, todos, em seus majestosos espaços arquitetônicos, históricos e – diga-se de passagem, exageradamente ricos. Sim, o centro do Poder gaúcho reúne prédios que, mais do que uma beleza infinita, e valor histórico-cultural incalculável, demonstram de forma pomposa, que ali irmana o Poder e que, para ali estarem abrigados líderes da Justiça, o governador do Estado, os 55 deputados eleitos pelo povo e o líder maior da Igreja no RS, foram necessários fartos recursos...do povo.
Ali na Praça sentei para descansar, apreciar a paisagem. Ali fiquei a refletir. E eis que uma cena me chama a atenção.
Em frente à igreja, sim aquele majestoso espaço para oração dos católicos, bem ali, onde o cristão busca alimentar sua fé, uma senhora sentada ao chão da calçada fria, pedia esmola.
Como cristão que sou, e naquele tarde, como turista que estava, entrei para rever o templo, aberto à visitação, e ter meus minutos de intimidade com o Deus que acredito.
Mas a cena não saia da cabeça. Em frente à igreja, situada no centro do Poder, uma mulher, um ser humano, pobre, com olhar sofrido, pedia esmola.
Não me concentrava, não dava. Talvez fosse ‘fita’. De repente, o olhar indiferente dos que por ali passavam era natural por saberem que golpes são diários, e ali poderia estar mais um.
Rezei, agradeci, pedi por mim, por nós, por todos, e por ela. Mais do que isso, ao sair, lhe alcancei moedas. Não ouvi sua voz, não vi um sorriso em seu rosto. Aliás, não vi seus olhos, pois ela, mergulhada na miséria humana em que se encontrava, parecia ter vergonha da situação.
Ainda não esqueci do ocorrido, mesmo tendo visto, em diversos locais da Capital, homens dormindo em calçadas, maltrapilhos, tendo a rua como seu mundo, seu lar, ela era a cena mais forte. Doeu. E ainda dói.
Mas meus caros amigos, o fato serve de reflexão. Vem como metáfora. Não tenho a resposta. Minha intenção não é dar resposta. Mas fica a pergunta: Por que, no centro do Poder, uma mulher na calçada pedia esmola em frente á igreja? Por que não estava ela, nos portões da Assembléia Legislativa, onde poderia de repente encontrar um deputado, talvez, quem ela ajudou a eleger e que deveria estar criando leis a seu favor?
Por que aquela senhora não estava na porta do Palácio, e talvez ali se encontrasse com o próprio governador, responsável por políticas públicas a seu favor?
Ou então, por que não se abrigara na porta TJ/RS, onde poderia se deparar, e de repente até ser atendida por um magistrado, responsável por fazer justiça, quem sabe, sua própria?
Pó que na igreja? Continuo a pensar no assunto. E a imaginar quais seriam as respostas.
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“Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar.
Foi um tempo de aflição
Era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar.
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado
Tu tá ai admirado?
Ou tá querendo roubar?!...(Cidadão – Zé Geraldo)




sábado, 31 de março de 2012

Minhas escolhas

Você já parou para pensar que passamos o tempo todo desafiados a tomar decisões?
Desde quando acordamos até a hora de dormirmos, tomar decisões parecer algo integrante da pauta do dia.
O que comer no café da manhã, que roupa usar, contratar ou não algum serviço, desmarcar aquela agenda, fazer aquela consulta, ir ou não no teatro, no cinema, naquela festa. Tudo isso, e outras coisas muito mais importantes, ficam presentes em nossa mente, a todo o momento, a todo instante.
E tomar as decisões corretas são as mais desafiadoras ainda.
Mas para isso ocorrer, de forma positiva, harmônica e não nos deixar com aquele ar de ‘culpa’ ou ‘arrependimento’ pela escolha feita, acaba nos tirando o fôlego, causando-nos sensações de mal-estar e nos deixando, na maioria das vezes, exaustos.
Até porque, a psicologia aponta que temos uma espécie de reserva de força de vontade que é usada para tomarmos iniciativas, resistir tentações e, decidir.
Mas esta reserva se esgota, a medida em que temos que optar entre isto ou aquilo, o tempo todo.
É meu caro, eis um desafio imenso. Tomar decisões, e certas a fim de que, ao invés da satisfação, tenhamos a sensação do arrependimento.
Costumo dizer, que não são as pessoas, e sim nossas escolhas, o fator que indica nossas tristezas, frustrações. Sim, porque volta e meia, o ser humano sinaliza sua revolta com o mundo, com as pessoas que o rodeia, culpando-as por coisas que não deram certas, por dores não controladas, perdas irreparáveis.
Bom, decisões, sempre são complexas e nos consomem, mas, decidir corretamente é o prêmio. Mas para ganha-lo, depende apenas de nós mesmos, não dos outros. Incrível, mas é assim. Se chegar ao topo, e ser vencedor, é o mérito pela decisão do caminho correto que trilhei, que decidi seguir, mesmo não tendo em mãos o mapa traçado. Mas o que diferiu a vitória alcançada da derrota não experimentada, foi minha escolha, simplesmente, minha opção.
Então, que possamos ser fortes o suficiente para enfrentar o desafio das escolhas, das opções, podendo, com isso, colher os frutos. Tomar decisões é tarefa única e exclusivamente, nossa, de cada um. Quero ser feliz? Que eu possa saber escolher, que eu possa estar preparado para trilhar o caminho que me levará a plenitude.
Regra? Manual? Não, meu caro, como diz a canção Epitáfio (Titãs) "a cada um cabe alegrias e a tristeza que vier"...
                                                    Saibamos então, viver.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Crônica da saudade em preto e branco

Valdomiro e Claudiomiro Sorriso (eu aos 4 anos)

Me peguei saudosista a olhar velhas fotos amareladas com o tempo e cheirando lembranças.
Quando vi, era tarde demais para voltar daquela viagem ao lugar chamado saudade.
Em cada retrato, a maioria sem cor, histórias contidas. Incrível, mesmo que o clic tenha sido de momentos bons e especiais, rever velhas fotos traz um misto de dor e tristeza.
Sim, porque ao lembrarmos do tempo que não volta mais – mesmo que tentamos trazê-lo de volta – nos deparamos com uma verdade: sentir saudade dói. E é uma dor que machuca.
Pois bem, me peguei saudosista, e viajei. Aliás, retornei a lugares que nunca estive e com pessoas que nunca as vi. Bacana isto, não? Seus nomes ali atrás, apontados por um membro da família, que quis imortalizar tal momento. Tios, bisavô, primos, alguns desconhecidos, um encontro, uma festa, um momento, que parece ter sido especial.
Que bacana a fotografia. Que mágica é esta de eternizar no tempo um instante como este?
E eu, ali, saudosista demais. Alguém da família voltando da guerra. Quem sabe com tantas histórias para contar. Outro, segurando um diploma. Um sonho realizado talvez, com tantos esforços. Uma rua estreita, precária, assim como aquelas pequenas casas, chamadas de lar.
Gente sorrindo, gente vibrando, festejando a vida. Eis um violeiro, um cantador, a fazer serenata. Olhando a foto parece que ouço a canção: ‘que beijinho doce, que ela tem. Depois que beijei ela...”.
Me peguei saudosista a olhar velhas fotos amareladas com o tempo e cheirando lembranças.
Lembrança de um tempo, de alguém, de uma vida, de uma história. Aliás, quantas histórias.
E em pensar que este jovem, com olhar sorridente e cheio de luz um dia casara, constituira família, e teve filhos. E um deles aqui, a olhar velhas fotos.
Ah, a saudade. De vez em quando bate no peito e, sem pedir licença ali se abriga. Mas que bom tê-la aqui a nos visitar. Traz consigo a certeza de que tudo vira passado. E que as lembranças fazem parte da caminhada.
Eis-me aqui, saudosista, não triste. Querendo viajar no tempo e rever os momentos, vividos ou não. Só para poder dizer na volta, o quanto é importante viver intensamente o hoje, lutando, conquistando, amando, e sendo amado, pois, afinal, um dia, tudo ficará presente no ontem, para relembrarmos.
Registramos pois nossa vida, na lembrança e na fotografia, agora postadas em álbuns digitais, com todas as cores e formatos.
Vivamos então.