sexta-feira, 11 de maio de 2012

Flor do deserto


“Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”. A frase foi imortalizada no personagem Pequeno Príncipe, obra do francês Antoine de Saint-Exupéry, e que até hoje encanta o mundo.
O morador solitário do minúsculo B-612 gostava de viajar pela galáxia e em suas andanças conhecer pessoas, fazer amigos, se aventurar.
Tinha ele sim, sede de encontrar amigos. Conhecê-los o faziam sentir-se bem.
E a cada novo contato, nova experiência, o desejo por mais conhecimento e conquistas se ampliava.
É dele, o Pequeno Príncipe, a frase – também eternizada pelo tempo - “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Sem sombra de dúvidas, um recado corretamente perfeito para cada um de nós, nos dias atuais.
Aliás, no contexto geral, o personagem faz isso em todas as situações.
O livro foi lançado em 1945 e parece inacreditável que tal frase “Num mundo que se faz deserto”, temos sede de encontrar um amigo caiba bem nos dias atuais, passados 67 anos de sua publicação.
E de fato, muitas vezes nos deparamos com tal cenário. Somos um único e solitário em meio à multidão. Corremos, incessantemente em busca do que nos preenche, completa. E não encontramos, e continuamos a busca. E nos perdemos. Conheço tantos assim.
Seja no campo material ou no espiritual, vê-se pessoas perdidas e a procura, de si, ou de algo mais.
Infelizes e com uma espécie de vazio – muitas vezes inexplicável – correm (quando não se escondem) e, entre tantos outros que vem e vão, se deparam com uma paisagem morta, pálida, desértica. Precisam se encontrar, encontrar, viver.
Precisam do abraço, do carinho, do ombro amigo. Necessitam de, neste mundo que se faz deserto, matar a sede – de encontrar um amigo.
E neste encontro – ou reencontro – fazer valer a máxima, de que precisa cumprir o estabelecido. Já não está só, e tendo conquistado, cativado, acaba se tornando responsável – inteiramente responsável – pelo outro. E assim, nesta troca, preenchendo o vazio, pois é com o outro que se completa.
Antoine de Saint-Exupéry foi feliz na inspiração para compor o clássico. Afirmara no texto do Pequeno Príncipe, o quanto era necessário dar valor à rosa do jardim. No caso, à pessoa a qual, encontrada no deserto da vida, tornara-se especial.  “Foi o tempo que investiste em tua rosa que fez tua rosa tão importante”.
E é este tempo que devemos ter. E neste cultivar, conquistar, reconquistar – fazer valer à pena.
Olhar o mundo com olhos de amor. Ver que não estamos só neste universo. Que somos parte de um todo e – na busca em fortalecer a caminhada como aprendizes na tarefa de Humano Ser, viver.
Ah, e não esquecer, conforme ensina Antoine de Saint-Exupéry que “apenas se vê bem com o coração, pois nas horas graves os olhos ficam cegos”.







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