sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Nossa agenda - nossa história"

A pressa, sempre a pressa. Vivemos correndo, sem tempo para nada, e com falta de tempo em nossa agenda. Maldita agenda, que nos controla, a comandar nossos passos.
Mas nesta correria, as vezes nos deparamos com situações inusitadas - quando abrimos nossos olhos e o coração.
Pois na manhã de sexta-feira, depois de muita insistência do Jairo Madril, Editor Chefe do Jornal Noroeste, topei acompanhá-lo no seu tradicional cafezinho. Diante do prédio antigo da prefeitura, esta estrutura que - um dia - se transformará em Centro Cultural - tudo leva crer -, um senhor - que parecia ter todo o tempo do mundo - olhava atentamente para aquela estrutura abandonada, como se voltasse no tempo, a reviver lembranças.
Pois era fato. Nos abordou e, devido a correria, Jairo e eu lhe ouvimos, mas sem diminuir os passos - que falta de respeito, continuarmos caminhando enquanto aquele velhinho, com um sorriso no rosto e olhos de brilho intenso tentava dialogar conosco. Ao longo dos seus 80 e poucos anos - lembro-me de ter perguntado sua idade -, ele afirmara, em um tom saudosista, que havia trabalhado ali. Ritmo desacelerado - mas sem perder nosso 'precioso' tempo -, passamos a ouvir seu relato. 
"Que pena. Como este prédio foi ficar neste estado?", lamentou. "Carreguei muitos tijolos da olaria até aqui. Eram tijolos dos bons. Aqueles grandes, que por seu tamanho uma carga era de 500 unidades", ressaltou. Seguimos, após um rápido "pois é senhor. Fazer o que né. Tenha um bom dia!".
Fiquei a pensar. Aquele momento deixou-me lições. A primeira, do quanto é importante valorizar as pessoas. Aquele vovô queria falar e - mais do que isto - esperava ser ouvido. E percebi que ele não era o único. Maldita agenda, que nos controla, a comandar nossos passos.  
Outra: o quanto é importante cuidar de nosso patrimônio. Nossa história é formada por obras e homens. Não podemos esquecer que, diante do concreto armado - barro ou cimento - existe o humano, o ser.
Aquele vovô via com emoção - e com tristeza - o que para ele parecia impossível. 'Como o prédio que ajudaei a construir, nos anos 40, sob a coordenação do prefeito Pautilho Palhares encontra-se hoje - e não é de hoje - assim?'.
Ele lamentou muito. Eu também.
 
 
Claudiomiro Sorriso
Escritor
Repórter/Redator/Radialista
Rádio e Jornal Noroeste de Santa Rosa

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