Vivemos tempos curiosos. Nunca se falou tanto. E, paradoxalmente, talvez nunca se tenha ouvido tão pouco. As redes sociais nos deram voz, liberdade e espaço, e isso, por si só, é extraordinário.
Mas junto com essa liberdade, veio também uma pressa. A pressa de opinar, de responder, de se posicionar, de dizer algo — qualquer coisa — como se o silêncio fosse um erro, uma falha, quase uma omissão imperdoável.
E então, comenta-se, critica-se, julga-se e condena-se. Tudo na mesma intensidade, no mesmo impulso.
Do outro lado da tela, porém, não há apenas um perfil, uma foto, um nome, uma ideia exposta ao vento. Há alguém.
Alguém que carrega histórias que não cabem em um post, dores que não se revelam em uma legenda e batalhas que não se mostram em uma foto. Alguém que, assim como nós, também tenta — do seu jeito — dar conta da vida.
Mas, muitas vezes, esquecemos disso. Esquecemos que palavras não são leves quando encontram o outro e que opiniões, quando atravessadas pela falta de empatia, deixam marcas. Que nem toda verdade precisa ser dita e, principalmente, nem toda reação precisa ser publicada.
Há uma beleza silenciosa em saber parar, respirar antes de responder e escolher não escrever. Porque, às vezes, o melhor comentário…é aquele que não se faz.
Não por medo, mas por respeito. Respeito ao tempo do outro, à dor do outro, à humanidade do outro.
Talvez o mundo não precise de mais vozes. Talvez precise de mais escuta. E, quem sabe, de mais silêncio. Um silêncio que não é vazio, mas cheio de consciência.
Porque, no fim, ser livre também é isso: ter o poder de dizer… e a sabedoria de não dizer.
Claudiomiro Sorriso
Ainda aprendendo.

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