sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

As relações

Nas últimas férias do repórter policial Manoel Luciano Brizola - na Rádio Noroeste - fui escalado para acompanhar a área de segurança pública. Foi um desafio e tanto.
A larga experiência transforma o Brizola no "cara". Ele não busca a informação. Ela vem ao seu encontro. Fontes imprescindíveis, para quem faz jornalismo, estão ligadas ao repórter policial 24 horas do dia. Méritos pela dedicação.
Passei a "visitar" o plantão policial diariamente e confesso não me senti bem naquele ambiente. Explico: é ali que se percebe a fragilidade do ser humano, quando vítima, seja qual for o tipo de violência sofrida.
Famílias desestruturadas por causa do álcool e da droga, que desencadeiam a violência doméstica. Vizinhos que não se toleram, não se aceitam, não compreendem as diferenças. Relações conturbadas, visível sinal de que a humanidade desaprendeu a viver o amor, e em paz.
É filho que agride a mãe. É mãe que abandona o lar. Marido que bate na esposa. É a droga, a arma, a cachaça, e o policial (civil e militar) ali, a ouvir mais um fato, mais uma história...Ufa!!! E em pensar que eles também têm família, e filhos.

***

Não entendo esta coisa do "não se dar" com o vizinho. Tem ocorrências - que se tornaram corriqueiras na DP e BM. Há sempre um vizinho queixando-se de um vizinho. Alguns casos são eternos e quase sempre acabam na Justiça.
Deve ser chato ter um vizinho chato. Mas, mais chato ainda é ver a relação nada amistosa virar caso de polícia. Aliás, brigas bestas que só dão trabalho à polícia, que tem mais o que fazer.
O que precisa é haver mais tolerância, respeito mútuo, diálogo e compreensão. Claro que, na prática não é bem assim, mas, no quesito relacionamento, seria bem melhor dar-se com o vizinho próximo do que com um parente próximo. Até porque, um dia poderá precisar de uma mão amiga. O vizinho, nesta hora pode estar mais próximo do que se espera. Paciência, paciência.

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