sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Dar de si sem pensar em si"

Dezembro é marcante e cheio de luz. E não falo das lâmpadas multicores e dos pisca-piscas made in China, que dão um toque especial aos lares nesta época do ano. Dezembro tem a mística de mexer com o emocional das pessoas. Conheço muitas assim. É neste mês que paramos para refletir nossa caminhada, avaliando nossos passos - o que projetamos e fizemos, de fato – e traçamos novas metas. Muitos, é verdade, sofrem com o dezembro, enquanto que outros – motivados pelo espírito do Natal, transformam-se ao aproveitar a oportunidade de desenvolver ações sociais. E são muitas – e ótimas – as iniciativas. E que bom que isto acontece. Sempre tem alguém à espera de uma mão estendida, de um abraço fraternal, de um carinho, de um gesto solidário – não importa o seu tamanho.
Mas, falando em ação solidária e fazer o bem, me vem à mente a figura carismática e querida de Clóvis Roberto Cerutti. Radialista por mais de três décadas em Santa Rosa, soube como ninguém, mostrar diante de um microfone, o lado humano do Ser. Seu coração era tão grande quanto sua estatura – só para tentar dimensionar a grandeza de sua alma. Tinha na essência o que praticam no cotidiano membros do Rotary no mundo todo, com o lema "dar de si sem pensar em si". Clóvis foi assim.
Apaixonado pelo Rádio, ele focava suas atenções no irmão, no cidadão. Desenvolvia ações com a certeza de que aquele era o papel do profissional, e de que, se assim não fosse, de nada valeria estar ali. Ajudou milhares. Foi a voz de muitos, sedentos e esperançosos por dias melhores. Campanhas foram muitas e, por sua credibilidade, contava com a ajuda generosa do povo, que compreendia os apelos e que – mesmo sem saber – faziam parte de uma rede social do bem. Se emocionava – e não raras vezes – chorava junto as dores do outro.
Pois, como cantou Renato Russo na canção "Os bons morrem jovem", Clovis Roberto Cerutti partiu cedo. Estava com 50 anos. Tinha muito ainda por fazer. Mas partiu, deixando um legado, uma marca, um exemplo a ser seguido. Dia 12, próximo domingo, é o dia da saudade. Dia de lembrar com carinho de um grande homem. Clóvis partiu há exatos 10 anos. Parece que foi ontem. E se parece, é porque faz falta.
Ao recordar deste homem, lembro da mensagem que compara nossas vidas a uma viagem de trem. Alguns estão a passeio, outras passam de vagão a vagão, prontas para ajudar quem precisa. Ao descerem, muitas deixam saudades eternas. Outras, porém, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe.
Dar de si sem pensar em si, dizem os rotarianos. Pensava assim Clóvis Cerutti. Pensamos e agimos assim também todos nós.
Em respeito à família, presto aqui minha homenagem ao grande amigo e ser humano que foi Clóvis Cerutti, que por tudo o que fez enquanto esteve entre nós merecia uma homenagem digna de sua história. Nunca é tarde – ou é? - demais. Alguém se habilita?

"Sabe, moço
Fui guerreiro como tantos
Que andaram nos quatro cantos
Sempre seguindo um clarim
E o que restou?
Ah, sim
No peito em vez de medalhas
Cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou pra mim"
Leopoldo Rassier

Nenhum comentário:

Postar um comentário